PONTOS MISTURADOS

Advérbio primeiro caso


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  • 15/05/2018 - 09h37

Advérbio – primeiro caso. Antes, porém, estes fatos: faz uns trinta anos que exercito duas vezes por semana exercícios fiscos na academia – terça-feira e quinta-feira de manhã – e estou na academia do Sesc desde que a abriu em Santo Ângelo.
Uma ida à academia é não dez idas ou mais à farmácia nem a consultório médico, ela mantém a forma, desenferruja os mancais ósseos, desentope as veias que os azeites em geral nos alimentos envenenados entopem... Esses fatos são importantes, mas o mais importante é este, ou seja, este diálogo que na semana passada duas mulheres fizeram:
– A sua mãe voltou?
– Já.
Todos os que estudaram um tanto nas escolas ou ainda estudam de sétima série para cima sabem que a palavra já é advérbio de tempo. A emissora usou o verbo voltar, e a receptora, em resposta, não usou o mesmo verbo, mas o advérbio. O tradicional, o esperado geral nesse caso era que a receptora respondesse com um voltou ou com um já voltou, mas respondeu com um já. Aqui se pode ver que o advérbio que tem por característica básica a modificação tem na resposta da receptora, além dessa característica, a substituição, uma vez que substitui a forma verbal voltou. O já, portanto, além de guardar e expressar tempo, substitui e assimila, também, voltar, que, por sua vez, também possui e comunica a ideia de tempo. Ora, essa substituição e assimilação de uma palavra por outra economiza uso de outra palavra ou de outras palavras, no caso, economizou o uso de voltou.
Vale à pena dizer que a substituição assimilativa de palavras faz parte da comunicação moderna e pós-moderna. A regra básica da comunicação de hoje é esta: dizer um oceano de ideias num deserto de palavras e não um deserto de ideias num oceano de palavras. Há exemplos do segundo caso no Brasil? Há em profusões: corruptos investigados, denunciados, réus e condenados; candidatos a cargos políticos, tais como deputados, senadores, governadores, presidentes da República; catervas de políticos com imunidades parlamentares anacrônicas, com impunidades enquanto nos cargos e com outras blindagens mil injustas.
Advérbio – segundo caso – e numeral. Quarenta anos atrás, ou seja, no dia 1º de abril de 1977, Ernesto Geisel decretou o recesso do Congresso Nacional. Em essência e no rol dos advérbios, atrás é advérbio de lugar, mas na frase acima é advérbio de tempo. O numeral quarenta não poderia ser escrito 40? Não. Iniciando a frase, ou seja, o numeral sendo a primeira palavra da frase só pode ser escrito com palavra e não com número. O numeral 1º não deveria receber na frente um zero? Não. Não se antepõe ao numeral dos dias do mês um zero. Errado: 01º, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 010, 011, 012... E mais isto: o primeiro dia de cada mês se pronuncia e se escreve com numeral ordinal 1º [primeiro] e não com numeral cardinal 1 [um].
Assim, no arremate de advérbios mais de dúvida, intensidade e tempo, e embasado no ensino certo de Hogue Dorneles que perguntar não ofende, só esta pergunta que, embora simples, talvez ainda seja difícil de respondê-la com mais amplidão e profundidade hoje: Haverá eleições este ano no Brasil?

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