POLICIAL

Somente neste ano já foram registrados 32 casos de violência sexual


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  • 15/09/2018 - 11h30

Outro assunto abordado pela delegada Luciana Cunha da Silva em sua entrevista foi a violência sexual contra crianças e adolescentes. Segundo ela, está sendo verificado um aumento de ocorrências neste ano em relação aos dois últimos anos. “Até esta quarta, 32 casos haviam sido registrados em 2018. É um aumento, mas gosto de falar que não indica isso na prática, mas reputo até como positivo, pois as pessoas e os adolescentes estão mais conscientes e a rede de atendimento tem funcionado bem. É um trabalho c njunto de acolhimento que faz com que se sintam mais seguras para contar o que tem acontecido. Aumentou a coragem de realizar a denúncia”, deduz.
Luciana também fala que mesmo com o aumento dos registros ainda existe um universo de casos que não são registrados. De acordo com as estatísticas, 70% desses casos não chegam ao conhecimento dos órgãos de segurança.
O crime de estupro de vulnerável é o mais corriqueiro. Esse crime é cometido contra crianças menores de 14 anos. “A partir dessa idade precisa ter violência e grave ameaça e aí se torna estupro. Hoje se caracteriza pelo simples toque libidonoso, que são os mais comuns. Toque no corpo, nos órgãos genitais. Simples toque numa perna, com intenção libidinosa, já configura o crime”,declara.
A maioria dos casos são provocados por pessoas de conhecimento das vítimas. “95% dessas pessoas são da confiança das crianças. Os casos recentes são de pais, padrastos, avôs, vizinhos, que são os investigados. Pessoas de confiança e que tem o dever de cuidar, mas se aproveitam disso para praticar o abuso de meninos e meninas. As meninas ainda são a maioria dos casos com homens agressores”.
A delegada cita o exemplo de um caso de abuso de uma menina que foi comunicado quatro anos depois pela mãe. A menina disse que no abuso em si não tinha traumatizado tanto ela quanto a omissão da mãe. “Sempre ressalto isso. Existe o receio do que a criança ou adolescente sofrerá prestando depoimento. O não agir é muito pior. Por mais que criança passe por uma situação de ter que relatar de novo”, afirma.
A delegada ainda comenta sobre os novos métodos adotados para diminuir o trauma da criança ou adolescente. “Hoje temos o depoimento especial, um método diferente. Oficiamos para que o Ministério Público solicite ao juiz uma audiência paraque a criança seja ouvida por assistente social, sem contato com delegado, juiz, promotor. De forma mais tranquila e acolhedora. E que seja ouvida numa só vez. Todo um cuidado para a tomada desse depoimento, para que tenha o menor risco possível da criança ter problema por estar repetindo um momento traumático”.
Além disso, ela cita que estagiárias do curso de Psicologia fazem acompanhamento das vítimas e até das famílias para dar o suporte necessário.

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