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Caso Maria Eduarda: Avós relatam assédio de motorista e reação de adolescente com tapa


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  • 04/04/2019 - 10h26
Delegado Gustavo Arais espera para ouvir o suspeito que continua internado no HCI (Polícia Civil/divulgação)

Os depoimentos das avós paterna e materna de Maria Eduarda Zambom, 15 anos, a adolescente assassinada em Catuípe, apontam alguns episódios entre a menina e o motorista do transporte escolar apontado como o principal suspeito do crime.
A primeira a depor foi a mãe do padrasto da menina. Ela contou que a adolescente disse estar com medo do motorista suspeito de tâ-la matado. Esse temor foi relatado para avó cerca de uma semana antes da morte.
No depoimento, a mulher contou que na sexta-feira, 29, ela notou que o ronco do motor do veículo que foi buscar a neta era diferente. Além disso, disse não ter escutado a batida da porta que era peculiar na Kombi usada corriqueiramente para o transporte. Entretanto, afirmou que não se preocupou, pois em outras oportunidades o motorista já tinha utilizado o Corsa para buscar a estudante.
Um ponto importante do depoimento da avó é quando ela conta que cerca de uma semana antes do crime, a neta havia lhe contado que o motorista a estava “olhando com olhos diferentes” e pedindo que ela sentasse no banco do carona da Kombi e não mais abrindo a porta lateral para que ela entrasse. Assim, a menina tinha que sentar na parte da frente. Também teria contado que numa oportunidade a menina contou que o motorista tentou passar a mão em seus cabelos e ela não deixou. A depoente entendeu tratar-se de um episódio isolado, por isso não relatou o que ouviu para a mãe da menina.
Maria Eduarda ainda teria dito que “tinha muito medo do motorista”. A menina teria afirmado que o temor era de que o motorista a matasse e enterrasse “perto das laranjeiras”. A avó contou que disse para neta não ter medo, porque o motorista estava há muitos anos trabalhando e jamais iria lhe fazer mal.
O delegado Arais ainda frisa que Maria Eduarda teria implorado para a avó não contar nada à mãe. A menina pediu para a avó interceder pela troca do motorista pelo irmão dele, que também realizava o serviço.
A avó relatou que contou para a mãe de Maria Eduarda tudo que havia ouvido e ficou acertado que nesta quarta, 3, a adolescente teria uma consulta no dentista em Catuípe e elas iriam na Secretaria de Educação solicitar a troca de motorista. Ela afirmou que tudo ocorreu muito rápido e que a família jamais imaginou que poderia acontecer o crime.

TAPA NA CARA
Já a avó materna depos na manhã desta quarta-feira, 3. Segundo a mulher, a neta contou que no ano passado desferiu um tapa no rosto do motorista. O motivo seria o fato do motorista ter “saído com bobagens”, conforme relatou a menina.
Entretanto, ela disse não saber das preocupações recentes da neta com o motorista, conforme relatado pela outra avó.

OUTROS DEPOIMENTOS
Outras pessoas foram ouvidas mas não contaram nada de relevante para o caso, segundo o delegado. Até sexta ele espera concluir os depoimentos e seguirá aguardando os laudos periciais. Além disso, Arais espera pela melhora de saúde do suspeito para que o mesmo seja ouvido.

 

CRIME

Maria Eduarda desapareceu na sexta-feira, 29, após sair de casa para ir à escola. Seu corpo foi encontrado na manhã do sábado, 30. O motorista do transporte escolar, Pedro Zimmermann, 52 anos, é o principal suspeito do crime segundo a Polícia Civil. Pedro está internado no Hospital de Caridade de Ijuí, pois foi encontrado ferido.
No meio da tarde de sexta, o suspeito pediu socorro e foi levado para o Hospital de Caridade de Ijuí. Ele passou por cirurgia naquela noite e está sob custódia, devendo ser ouvido quando os médicos apontarem que esteja em condições. Apresentava ferimentos na garganta e no peito.
O Corsa do motorista foi encontrado no fim da tarde de sexta, na localidade de Santa Teresinha, onde também foi localizado o corpo da estudante. Próximo do carro estava a mochila de Maria Eduarda. No Corsa ainda foram encontrados R$ 300,00. A Polícia acredita que o motorista teria tentado usar o dinheiro para convencer a adolescente a ter alguma relação com ele.
O automóvel foi submetido a perícia papiloscópica, bem como coleta de material genético. Na mochila estavam os cadernos. Por volta da meia-noite de sexta foi localizada a blusa da vítima. O corpo foi encontrado á 7h30min de sábado, na mesma localidade.
O suspeito tinha antecedentes por ameaça com emprego de faca, em 2004.
O delegado ainda afirmou que na sexta, o irmão do suspeito realizou o transporte dos demais alunos para a Escola Estadual de Ensino Fundamental Euzébio de Queiroz, na localidade de Passo Burmann, interior de Catuípe, onde Maria Eduarda cursava o nono ano. O irmão do suspeito deve ser ouvido para contar a razão de ter feito o roteiro naquele dia.
O suspeito prestava serviço terceirizado, via licitação, para a Prefeitura de Catuípe, e estava na atividade há cerca de duas décadas. A Polícia Civil acredita em crime premeditado.

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