EXPRESSÃO

Faces e fases do professor no Brasil


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  • 11/10/2018 - 11h13

A educação no Brasil está “adoentada” pela falta de “vitaminas”, na realidade, um “complexo de vitaminas” para que o ensino brasileiro fique mais forte. O ser professor está cada vez mais difícil e, infelizmente, creio que está na faixa de extinção, caso não haja rápidas e severas mudanças que auxiliem a prática do ensino. É claro que há profissionais da educação, professores, que são ótimos e outros, nem tanto. Seria hipocrisia dizer diferente. Entretanto, essa divergência de atitude profissional não é exclusiva na educação, pois em outras áreas igualmente há essa disparidade de atitudes. Por sua vez, a valorização da educação, para não dizer do professor, no Brasil é bem baixa, algo que ocorre de maneira diferente em outros países, com relação ao mesmo quesito.A educação no Brasil está “adoentada” pela falta de “vitaminas”, na realidade, um “complexo de vitaminas” para que o ensino brasileiro fique mais forte. O ser professor está cada vez mais difícil e, infelizmente, creio que está na faixa de extinção, caso não haja rápidas e severas mudanças que auxiliem a prática do ensino. É claro que há profissionais da educação, professores, que são ótimos e outros, nem tanto. Seria hipocrisia dizer diferente. Entretanto, essa divergência de atitude profissional não é exclusiva na educação, pois em outras áreas igualmente há essa disparidade de atitudes. Por sua vez, a valorização da educação, para não dizer do professor, no Brasil é bem baixa, algo que ocorre de maneira diferente em outros países, com relação ao mesmo quesito.Conforme o que foi divulgado na internet, o Brasil ficou na penúltima colocação entre 21 nações em um índice sobre a valorização dos professores divulgado pela fundação internacional Varkey Gems, sediada em Londres. O Brasil está à frente apenas de Israel no “status” dado aos seus educadores. Em primeiro lugar aparece a China, seguida de Grécia, Turquia, Coreia do Sul e Nova Zelândia. Nessa pesquisa, realizada em 2013, os 21 países analisados foram selecionados pelo desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês). Em cada país foram feitas mil entrevistas que levaram em conta o “status” do professor, a recompensa recebida pelo trabalho e a organização do sistema de ensino.Cláudia Wallin declara que, na Finlândia, a carreira de professor tornou-se uma das principais preferências entre os jovens, à frente de profissões como medicina, direito e arquitetura. O professor Martti Mery afirma que “o magistério na Finlândia é uma carreira de prestígio. A profissão possui um alto ‘status’ em nossa sociedade, que tem grande respeito e consideração pelos professores.”.Já no Brasil, em pleno século XXI, os governos têm o mesmo pensamento do período do Trovadorismo, que existiu na Europa, quando o acesso aos livros era proibido, poucas pessoas, alguns nobres e o clero, poderiam aprender a ler e a escrever. No Brasil, praticamente desde 1500, a educação é fornecida ao povo em doses menores que as homeopáticas. Entra ano e sai ano, entra décadas e séculos, e o incentivo à educação é pouquíssimo. Isso porque a pessoa que sabe ler e escrever torna-se um perigo, pois ela pode ver o que não é para ser visto e, mais, perguntar, questionar, saber o porquê e o que está sendo feito. Onde está o dinheiro? Por que se gasta tanto em outras áreas não essenciais à sociedade e quase nada para a educação? Por que as escolas públicas recebem, aproximadamente, R$0,36 por aluno para a merenda escolar? Por que os professores recebem tão pouco para uma responsabilidade enorme?Quem não está dentro de uma sala de aula com estudantes, não sabe das várias realidades que nós professores encontramos e enfrentamos e precisamos, no mínimo, ouvir e dar uma orientação. Estudantes que, antes de qualquer coisa, são humanos seres com diversos e graves problemas, sendo que, um dos problemas mais “leves”, se é assim que se pode dizer, é ir à escola com fome. De alunos que claramente declaram “Tô só pelos dezoito, sor. Agora em novembro faço dezoito e não preciso mais estudá.”. E, então, o indivíduo completa a maioridade e não retorna mais à escola, pois não quer mais aprender.Há casos que àquela charge que foi publicada em 2009, retrata bem uma outra realidade quanto à valorização do professor. Na charge, mostra os pais, no ano de 1969, furiosos e questionando o filho “Que notas são estas?”. E, em 2009, a pergunta feita pelos pais é a mesma, porém, à professora. Isso demonstra que alguns pais “culpam” o(a) professor(a) pela baixa nota conquistada pelo(a) filho(a). Felizmente são alguns, pois há outros que não “tapam o sol com a peneira” e cobram dos filhos a responsabilidade em estudar. Falando nisso, costumo falar aos meus discentes que prefiro chamá-los de estudantes e não de alunos, pois vamos à escola para estudar e não para “alunar”. Dizem que perguntar não ofende. Ofende sim. É só você questionar a um estudante se ele quer ser professor. A resposta é rápida e certeira, como quem mira um alvo: “não”. E o tom da voz é tão alto e ríspido que você tem a clara impressão que xingou a mãe do aluno com a palavra mais baixa que possa existir no calão. E isso se deve a que? À falta de incentivo do governo para a área da educação. Não basta apenas colocar na mídia que “a base de toda a conquista é o professor, que tudo o que se cria tem um bom professor” se os governos pagam baixíssimos salários aos professores em diversos âmbitos que eles, os professores, atuam. Sim, neste mês de outubro comemoramos mais um Dia do Professor e eu, particularmente, afirmo que, com muito orgulho, sou Professor. Sei das vicissitudes dos nossos estudantes, das angústias de muitos pais com o aprendizado de seus filhos, das responsabilidades que temos, das vezes em que somos ouvidos para ouvir os anseios dos estudantes, quando nos imitam e fazem gracejo de nós professores (e vejo nisso um gesto de admiração), quando estamos na fila da merenda com eles (porque nós professores também nos alimentamos). Quando perguntam “o que cai na prova” e eu digo que “não cai nada, consta”. Quando ficamos com cara triste, de brabo, de paisagem, esperançosa, envaidecidos, orgulhosos com cada um deles. Mas uma coisa é certa, queremos o melhor para os nossos estudantes, pois eles são o futuro do nosso Brasil brasileiro. Portanto, mostremos valor constância na prática da docência porque cada um de nós, professores, sabemos as faces e as fases do professor no Brasil.

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