CRÔNICAS DA VIDA

O rádio de Aníbal


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  • 06/11/2018 - 15h57

 

A história sobre a invenção do rádio é complexa. Há autores que consideram como inventor do rádio o italiano Guglielmo Marconi, que viveu no Século 19. Outros afirmam que o gaúcho, Roberto Landell de Moura, seria o inventor por ter feito a primeira transmissão de voz através de ondas eletromagnéticas na avenida Paulista, em São Paulo.O sinal foi captado a oito quilômetro do ponto de transmissão. Na época, alguns religiosos consideraram o fato de a voz sair de dentro de um aparelho um ato de bruxaria.
Os autores que defendem Landell contam que o padre não fez o registro em tempo e Marconi, que havia transmitido sinais telegráficos via rádio, saiu na frente patenteando a invenção em 1896. Apesar desse debate, a Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu o mérito ao iugoslavo Nikola Tesla - responsável pela técnica utilizada no invento.
Sem entrar no mérito da questão, podemos dizer que a invenção do rádio revolucionou as comunicações, mudando o mundo para sempre. Esse meio de comunicação avançou ao longo de gerações e ainda, hoje, é o veículo mais popular. O rádio está no nosso dia a dia, competindo diretamente com a televisão, os impressos e a internet.
RELEMBRANDO ANÍBAL
Numa noite destas, num jantar com a família, o assunto na mesa foi a chegada do aparelho de rádio na região das Missões. O Tio Antão descreveu com detalhe a história do Seu Aníbal, que morava no interior de Santo Ângelo.
O pecuarista foi um dos primeiros a adquirir esse aparelho por estas bandas. Nos finais de semana, a vizinhança ia até sua casa ouvir programas locais como “Gravetos do Passado” e até mesmo o famoso “Grande Rodeio Coringa”, um dos primeiros programas de auditório a abordar a temática gaúcha, transmitido aos domingos à noite, na Rádio Farroupilha. O programa da Capital tinha na apresentação Darcy Fagundes e Luiz Menezes, e contava com a participação de Paixão Cortes e o poeta Dimas Costa. Aníbal gostava de ouvir no programa as trovas, os quadros de humorismo, as declamações e a Orquestra Sinfônica da Farroupilha, regida pelo renomado maestro Salvador Campanella.
Tradicionalista, andava sempre pilchado e adorava ouvir xote e rancheira. Apesar da convivência com o aparelho, o pecuarista não entendia que as vozes vinham do sinal captado por ondas de rádio. Tio Antão conta que, certa vez, Aníbal ao escutar o “Xote Laranjeira”, desligou imediatamente o aparelho. Ele queria convidar a esposa para dançar sua música preferida, mas não tinha como. A mulher estava lavando roupa na sanga. Quando a esposa retornou para casa, Aníbal convidou-a para dançar aquela música. Para sua decepção, não estava mais rodando o “Xote Laranjeira”; apenas os comerciais da emissora. Triste, ele pensou que fosse defeito no aparelho ainda não estar tocando aquele xote que tanto gostava.
BATERIA
Numa época de insipiência em relação a tecnologia, aconteceuum fato curioso envolvendo Seu Aníbal. A carga bateria do rádiotinha acabado. Naquele tempo a energia elétrica era escassa e sempre quando alguém das redondezas precisava de carga na bateria tinha que ir à localidade do Caroço, onde ficava o moinho do Seu Libório. Seu Aníbal levou seu aparelho sem ter noção de que as vozes que ouvia eram provenientes de sinais eletromagnéticos transmitidos por emissoras de rádio. Ao pagar pelo serviço entregou dois mil réis ao Seu Libório. Pensando que os áudios e músicas eram armazenados dentro do aparelho, tascou:
- Libório, não precisa me dar o troco! Coloque dentro do rádio bastante músicas. De preferência xote, valsas e rancheira que eu gosto muito de ouvir e dançar...Crônicas da VidaCristiano Devicari

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