ANTÔNIO CARLOS ROUSSELET

Comandante Flach


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  • 04/10/2018 - 16h09

Assim o piloto civil Egídio Pedro Flach era conhecido e chamado no meio aeroviário aqui de Santo Ângelo e da região.
Posto isso, para falar do Aeroclube de Santo Ângelo é necessário falar do Comandante Flach que foi o grande sustentáculo dessa entidade que ele presidiu e dirigiu por muitos anos, formando uma grande plêiade de pilotos profissionalmente competentes.
Há 100 anos, em 12 de fevereiro, aos 93 anos de idade, faleceu esse cerro- larguense, ilustre em Porto Alegre, onde residia. Nascido em 1918, em Cerro Largo, foi o terceiro dos 10 filhos de Guilherme Egídio Flach e de sua esposa. Dentre eles, destacam-se os médicos Dr. Otto e Dr. João Pio. Acumulou 40.000 horas de voo.
Para realizar o sonho de voar livre pelos ares, o jovem Egídio deixou cedo a sua terra natal. Na década de 1940, seguiu para o Rio de Janeiro, onde, no Aeroclube de Manguinhos, aprimorou seus conhecimentos na arte de pilotar. Na sequência , começou a carreira na Campanha Nacional de Aviação Civil, levando aviões de treinamentos, os chamados Paulistinhas, para os aeroclubes de todo o Brasil.
De volta ao Rio Grande do Sul, veio residir em Santo Ângelo e se tornou um dos responsáveis pela consolidação da aviação civil no Estado. Trabalhou durante cinco décadas como treinador e checador de pilotos, formando profissionais que estão em diferentes companhias aéreas. Teve atuação no erguimento do Aeroclube de Santo Ângelo. Com capacidade administrativa e talento para formar pilotos, tornou-se presidente da instituição por 14 anos, em duas fases.
Devido a sua atuação como formador de pilotos, foi nomeado como checador pelo Ministério da Aeronáutica. Pelo trabalho realizado na aviação, o comandante Flach recebeu a medalha Mérito Santos Dumont, a mais importante homenagem e condecoração do Ministério da Aeronáutica. Foi um reconhecimento por qualificar a escola de aviação do Município santo-angelense e elevar o nível de pilotos no Estado rio-grandense.
Com o comandante Flach na presidência, o Aeroclube de Santo Ângelo foi um dos poucos a conquistar a categoria “A”. A certificação era dada somente a escolas de aviação com administração transparente na preparação de pilotos. Como presidente, Flach comprou três aviões para o Aeroclube de Santo Ângelo, além de garantir três aeronaves de treinamento.Vendia horas de voo antecipadamente para comerciantes, como Milani, Eno Wilde,Cotrisa e Fábrica de Camas, para pagamento de um desses aparelhos .
A sede própria também foi uma conquista do comandante Flach que tratou da doação do terreno com a Prefeitura. Outra obra de destaque foi o erguimento do hangar metálico ao lado do Aeroporto Sepé Tiaraju.
Teve uma carreira repleta de realizações. Recebeu, também, o reconhecimento da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo. Em 1986, tornou-se Cidadão Honorário do Município. Em 2005, foi homenageado pela Câmara Municipal de Porto Alegre com o Troféu Honra ao Mérito proposta pelo vereador João Carlos Cavalheiro Nedel, também nascido em Cerro Largo.
Entre as homenagens pós-falecimento está a estrada para o Aeroporto de Santo Ângelo que recebeu o nome de RODOVIA EGÍDIO PEDRO FLACH, placa descerrada em 23 de outubro de 2013 pelo prefeito Valdir Andres. Na Capital gaúcha, o través do Aeroporto Salgado Filho recebeu o nome do piloto “ícone da aviação gaúcha.”
O filho Marco Antonio Flach deu continuidade à profissão do pai: é comandante de voos internacionais da Companhia Aérea Azul.
Na lembrança dos 100 anos de seu nascimento, em 12 de fevereiro de 1918, fica aqui registrada a certeza de que o legado profissional e pessoal desse cerro-larguense ilustre continua vivo e muito vivo em Santo Ângelo, nas Missões e no Estado.

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