Argentinos nas Missões: Liberdade e cultura numa infinita highway

 

Tem gente nova por aqui. Quem passa pela rua Marquês do Herval logo percebe a incomum Kombi que chama a atenção pelas cores. O som do violino e do violão, dão uma trilha sonora especial ao lugar, e quem resolve parar para ouvir logo percebe: tem gringo nas Missões. Dentro do automóvel, apenas uma cama, alguns objetos de uso pessoal, dois cachorros e uma série de artesanatos que garantem a renda dos argentinos da cidade de Mendonça, Jimena Fernandez e Vanderlei Kitanovick.

 

O casal viaja pelo mundo inteiro com sua Kombi colorida, e por onde passa, vende seus artesanatos e mostra a sua arte, com teatro, música e audiovisual. “Mostramos nossa arte e juntamos apenas o dinheiro suficiente para comer e chegar até a próxima cidade”, afirma Jimena. Ela conta que em média, suas paradas ocorrem a cada 200 quilômetros, e duram em torno de três dias. Para os dois, é tempo o bastante para conhecer o lugar, vivenciar sua cultura e conseguir o dinheiro para chegar até o próximo destino. Vanderlei é gaúcho de Carazinho, filho de um artista circense, conta que nasceu no país, mas logo voltou para a terra do tango com seus pais, que são argentinos.

 

Quando são indagados sobre o lugar que mais gostaram de visitar, a resposta é unanime: Brasil, com certeza. “As pessoas aqui não se ligam muito para esse negócio de aparências, a maioria não se importa se você é rico ou pobre, as pessoas são muito acolhedoras, e estão sempre disposta a ajudar” avalia Jimena. Quando o assunto é copa, os dois afirmam que não estão no Brasil por isso, e admitem: a torcida argentina é muito mais empolgada do que a brasileira. “Aqui o pessoal não sai para as ruas, comemora quietinho. Lá a cada jogo todo mundo sai para comemorar, é muita animação, chega a dar medo.”

 

 

 

O casal tem filhos na Argentina, e conta que usa a internet para se comunicar com os pequenos. “Quando encontramos pontos com wi-fi conseguimos nos conectar aí temos notícias, estamos longe de casa desde dezembro, mas já estamos percorrendo o caminho de volta para a Argentina”, conta Jimena. Quando são indagados da forma como tudo começou, eles afirmam que sempre fizeram isso. A argentina confessa que quando criança sua brincadeira preferida era imaginar que estava viajando. “Gosto muito de aprender, e quero seguir aprendendo sobre o que acontece na vida das pessoas, sobre novas culturas, adoro viajar”, confessa ela.

 

Eles contam que seus artesanatos dependem do país em que estão. “Aqui no Brasil, vendemos mais pulseirinhas, coisas mais artesanais, em outros países é mais comum vendermos materiais com pedras”, destaca Jimena. Os argentinos devem ficar por Santo Ângelo somente essa semana, logo que o dinheiro permitir, eles devem seguir por mais 200 quilômetros e continuar com sua jornada que transpira a arte, e mostra que para viver bem, definitivamente não é necessário muito.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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