Ex-prefeito diz que direção do PMDB local faz a política do empreguismo

Crédito: Banco de dados/AT

 

José Lima Gonçalves é o peemedebista com a carreira política mais expressiva em Santo Ângelo. Ele foi vereador por dois mandatos, vice-prefeito, prefeito por dois mandatos e no ano passado concorreu novamente à Prefeitura, ficando em terceiro lugar com quase 11 mil votos. No entanto, mesmo com essa trajetória, ele, seu filho, o vereador Lucas Lima e integrantes do seu grupo não fazem parte do diretório peemedebista da Capital das Missões. Ontem, em entrevista ao programa Aldeia Global da Rádio Sepé, o ex-prefeito falou sobre essa situação e criticou fortemente o que definiu como “prática fisiológica” dos dirigentes de seu partido.
Lima contou que nos anos de 2011, 2013 e 2015, o PMDB santo-angelenses teve disputas internas e internamente isso era comentado que gerava dificuldades posteriores. “Partindo dessa premissa, diversas lideranças entenderam que era momento de manter chapa única e trabalhar para a unidade e apresentou-se uma proposta. Sou subscritor dessa posição, de manter diretório e renovar a executiva, já que dirigentes diziam que não queriam continuar. Porém, isso não ocorreu”.
“UNIDADE PRA INGLÊS VER”
Segundo ele, alguns líderes do PMDB local entenderam que era hora de excluir. “Quando se trabalha sem critérios injustiças são cometidas. A reaglutinação não é feita assim. Em 2016, lideranças não se envolveram na campanha, não concordaram com o processo, tem informações de que trabalharam para outros candidatos. Mas manter o diretório que estava poderia superar isso, conciliar. Era extremamente representativo. Mas pessoas com história e representatividade foram excluídas. Nunca se desuniu tanto como agora. Foi a pior coisa que poderia ter ocorrido com o PMDB”, comenta.
O ex-prefeito ainda comenta que foi divulgada a eleição como sendo uma unidade, mas que isso é “para inglês ver” e que o fato repercutiu no PMDB local, regional e no Estado. “Vendeu-se a ideia de alguém eleito em chapa única, mas na verdade foi um processo de exclusão”.
FISIOLOGISMO
Uma prática que seria fisiologista de parte do PMDB santo-angelense foi atacada por Lima. De acordo com ele, sempre se disse que o PMDB gaúcho era diferente do PMDB nacional, de José Sarney, Renan Calheiros e outros, porém, alguns peemedebistas da Capital das Missões fazem a mesma política que se faz em Brasília. “ Fazem a política do fisiologismo, do balcão de negócios, do empreguismo, umas coisas assim que não pegam bem. Fico a observar, fico triste, não concordo e tenho o direito de externar a minha posição. Partido tem que ter proposta, programa, projetos e não interesse do A ou do B”.
Sobre a participação do PMDB no governo municipal, Lima também teceu críticas. O PMDB era governo na administração passada e tinha a vice-prefeita Nara Damião, porém, antes mesmo do mandato se encerrar nomes de peemedebistas já haviam sido anunciados como integrantes da administração do PDT, que em tese teria sido adversário na eleição do ano passado. “ Pode até participar do governo, mas mediante projetos sérios em prol da comunidade. Mas não pode ser apenas para que A ou B ganhem cargos”.
Lima ainda criticou o espaço que é dado ao PMDB na atual administração municipal. “Hoje, PMDB tem menos funções e representação do que outros partidos que não possuem representatividade na Câmara, que nunca disputaram a Prefeitura por exemplo. Nivelaram o PMDB por baixo. Claro que isso não concordo. Não contem comigo para discutir interesses pequenos”, observa e acrescenta: “Partido que tem história como o PMDB de Santo Ângelo, que já governou o município, sempre teve representatividade forte na Câmara não pode ser “puxadinho” de outra sigla. Tem que ter expressão política. Responsabilidade é dos dirigentes que aí estão. Nunca estive atrás de funções aqui ou acolá”.

 

“No PMDB o infiel recebe prêmio”

José Lima Gonçaves foi indagado ainda sobre a possibilidade de deixar o PMDB, já que muitos comentários foram feitos nos últimos dias, dando conta do convite que teria sido feito pelo Podemos, novo partido que está se estabelecendo. Lima afirmou que são muitos os convites recebidos, mas a história construída no PMDB precisa ser levada em consideração.
“Os convites nos deixam orgulhosos, mas temos história no PMDB. Um ou outro torce para que isso ocorra, porque parece que o Lima era bom quando prefeito, porque acolheu muita gente.Projetam até fazer festa se eu deixar o partido, mas tenho vínculo com o partido, uma história longa”.
Lima comenta que todos os partidos tem suas dificuldades e o PMDB não é diferente. “Pretendo continuar, tenho uma trajetória construída com muito trabalho, dedicação e lealdade ao PMDB. Sempre fiz campanha para candidatos do PMDB. Nunca bati na porta de ninguém para pedir votos para adversários, como um ou outro faz e acaba sendo premiado com funções. Prêmio tem que se dar para quem tem lealdade, coerência, fidelidade e não para quem um dia tá aqui e no outro está lá. Esse é o propósito, agora o dia de amanhã a Deus pertence”.

O ex-prefeito comentou ainda sobre o pedido de expulsão de um vereador do partido em Santo Ângelo por infidelidade. Sem citar nomes, confirmou que isso ocorreu e a razão foi a ação na eleição do ano passado quando o referido vereador teria feito campanha para candidato de outro partido. “Foi pedida a expulsão. Depois, nos movimentos de final do ano alguma coisa aconteceu nos bastidores. Uma hora dessas se revela toda a verdade. Pedido ocorreu mas é estranho. Alguém tem sua expulsão pedida e parece que é guindado à direção. No PMDB parece que é assim, quem é infiel recebe prêmio. Não deveria ser assim”, acentua.
Ele não quis citar o nome do vereador envolvido, mas sabe-se que trata-se do vereador Vinicius Makvitz.

 

“Muito marketing e nenhuma solução”

Provocado a avaliar a administração do prefeito Jacques Barbosa, José Lima ressaltou que o PMDB integra o governo mas que o partido nunca discutiu o programa de governo.
Todavia, frisou que oito ou nove meses já se passaram e “alguma coisa já poderia ter sido feita de efetiva”. “Seja na saúde, na infraestrutura do Município, com ideias inovadoras, algo poderia ter sido feito, mas não tenho visto nenhum projeto de maior alcance”.
Lima taxou a administração pedetista como um governo caracterizado por bastante propaganda.
“É muito movimento de marketing e as pessoas esperam soluções efetivas. Sabemos das dificuldades econômicas, que exigem dos administradores eficiência e coragem para reduzir o tamanho da máquina pública, que consome muito dinheiro. Alguns tem prática costumeira daquilo que não é nada recomendável na gestão pública que é o populismo, o governo do agrado fácil. Administrador não pode ficar com essa coisa de ficar ajeitando, acomodando. Pensa que de forma fácil vai resolver questões de gestão”.
Criticou ainda o que considera uma prática de desconsiderar a atuação de outros líderes.
“Uma ação que fica desconsiderando pessoas, desconsiderando a história do município. O que é bom fui eu que fiz. As coisas ruins são resultado da ação dos outros. Quando o prefeito faz boa administração é bom para todos. Não torço contra, mas coloco interrogações. No primeiro ano, a tolerância maior mas logo tem que começar a cobrar”.

 

 

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