Caso Bernardo: para MP, pai foi o autor intelectual do crime

 

O Ministério Público de Três Passos ofereceu nesta quinta-feira, 15, denúncia contra Leandro Boldrini, Graciele Ugulini, Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz por envolvimento no assassinato de Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, cometido em 4 de abril deste ano.

 

 

INDICIAMENTOS

 

Os três primeiros responderão por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima) e todos por ocultação de cadáver. Leandro Boldrini foi denunciado, ainda, por falsidade ideológica.

 

 

Os detalhes sobre as conclusões do Ministério Público estão sendo apresentados nesta tarde à Imprensa, durante entrevista coletiva com a participação do subprocurador-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Marcelo Dornelles, e da promotora de Justiça autora da denúncia, Dinamárcia Maciel de Oliveira, no campus da Universidade Regional do Noroeste do RS (Unijuí) de Três Passos.

 

 

QUALIFICADORAS DO HOMICÍDIO

 

No entendimento do MP, o crime foi cometido por motivo torpe, uma vez que Leandro Boldrini e Graciele Ugulini não queriam partilhar com Bernardo Boldrini os bens deixados pela mãe da criança e, tampouco, correr o risco de que ele, sob a guarda de terceiros ou mais velho, viesse a dispor, de algum modo, sobre tais bens.

 

Em relação à Edelvânia Wirganovicz, a torpeza fica evidenciada, conforme a denúncia, pelo fato de ela ter aceitado participar do homicídio mediante paga ou recompensa, tendo recebido, de Graciele Ugulini, a quantia de R$ 6 mil, além da promessa de auxílio financeiro para aquisição de um imóvel.

 

 

O crime também foi cometido por motivo fútil, visto que, sendo filho do casamento anterior de Leandro Boldrini, Bernardo representava “um estorvo” para a nova unidade familiar estabelecida entre o pai e a sua madrasta.

 

 

TESE DE ENVENENAMENTO

 

Além disso, também é apontado na denúncia o emprego de veneno, visto que os acusados ministraram à vítima superdosagem do midazolam. Por fim, é destacado o modo de agir com dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima, eis que Bernardo Boldrini, sem condições de saber das intenções homicidas de seus algozes, foi conduzido, a pretexto de realização de atividade de seu agrado, até Frederico Westphalen e recebeu superdosagem, via oral e intravenosa, do medicamento já referido. 

 

 

Paulo Guilherme Alves/MP

 

 

 

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