Cerca de 300 mil litros de leite adulterados

 

 

 

 

Produtos utilizados para a adulteração foram recolhidos na operação

 

Uma nova investigação de adulteração do leite com produtos como soda cáustica, uréia e água oxigenada, voltou a ser alvo do Ministério Público do Rio Grande do Sul que, na manhã da sexta-feira, 14, com grande aparato policial, tanto da Brigada quanto da Civil, cumpriu mandados de busca e apreensão em oito municípios da Região Noroeste. 

 

A aproximadamente 300 mil litros de leite foram levados da região para as cidades de Lobato, no Paraná, e Guaratinguetá, em São Paulo. A operação foi desencadeada em, Condor, Bossoroca, Ijuí, Panambi, Santo Augusto, Vitória das Missões, Tupanciretã e Capão do Cipó.


Durante as diligências, a equipe encontrou soda cáustica no posto de resfriamento de laticínios O Rei do Sul, localizado em Condor, local em que também saíram amostras que comprovaram a presença de formol no leite. O proprietário do posto foi preso em flagrante e recolhido à Penitenciária Modulada de Ijuí. O local já havia flagrado nas etapas anteriores da Operação Leite Compen$ado também com adulteração do alimento.


Segundo representantes do Ministério Público, para tentar fugir da fiscalização no Rio Grande do Sul, o posto de resfriamento passou a levar seus produtos para outros Estados, inclusive para São Paulo. Nesta manhã, o Ministério Público de Ijuí reuniu a imprensa regional e estadual para explicar detalhes da operação, enfatizando que o crime cometido é vil, de total irresponsabilidade e atenta contra a saúde pública.


Isso porque, segundo os dados apresentados, mais de 300 mil litros de leite foram levados da região para as cidades de Lobato, no Paraná, e Guaratinguetá, em São Paulo. As marcas Líder e Parmalat estavam sendo comercializadas normalmente nos dois Estados com presença de formol, contida na uréia, em sua composição, que é uma substância que pode provocar câncer.


A suspeita foi descoberta pela Secretaria da Agricultura de Santa Catarina, através da Vigilância Sanitária, que desconfiou da cor e consistência do leite, embora não tenha conseguido detectar fraude em seus testes de laboratório.


Imediatamente, o Ministério Público solicitou ao órgão no Rio Grande do Sul que realizasse análises em 53 amostras, constatando problemas em 12 delas, que apresentaram resultado positivo para formol. O produto que saia de Condor seguia para Tapejara onde era envasado com a marca Bom Gosto.


Em São Paulo, a Parmalat solicitou à Justiça a liberação do produto alegando que poderia sofrer prejuízos caso o leite estragasse, porém o Ministério Público replicou, que perigo corria a população. Estão envolvidos transportadores de Condor, Bossoroca, Ijuí, Panambi, Santo Augusto, Vitória das Missões, Tupanciretã e Capão do Cipó.

 

SEM ADJETIVOS


Na coletiva em Ijuí, os promotores disseram não encontrar adjetivos para explicar a ação das pessoas envolvidas. Frisaram que mesmo depois das operações anteriores, produtos utilizados na adulteração do leite voltaram a ser comprados em grande quantidade pelos investigados.


O lote de leite adulterado é do início do mês passado e as empresas foram informadas pelo Ministério da Agricultura que o alimento tinha contaminação, porém mesmo assim os produtos com problemas não foram retirados do mercado.


No entanto, no Rio Grande do Sul esse leite não chegou ao consumidor. O Ministério Público acredita que isso se deve ao fato que no Estado já houve flagrante da mesma adulteração no ano passado, por isso tentaram abrir novo mercado no Paraná e São Paulo.


Na entrevista coletiva da manhã de ontem em Ijuí, o promotor da Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, Mauro Rochemback, explicou que o Ministério Público deixou de lado outra investigação grandiosa que era feita para se dedicar ao novo flagrante de contaminação do leite, por entender que isso é um risco muito forte para a saúde da população.


Um vídeo feito durante a investigação num posto de combustíveis em nas margens da BR 285, flagrou transportadores transferindo leite de um caminhão a outro. A fraude também está sendo investigada em São Luiz Gonzaga e outros.

 

Foto: Divulgação/MP

 

 

 

 

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