População carcerária local cresce mais de 20% em cinco anos

A população carcerária do país cresceu quase 30% nos últimos cinco anos, aponta o Relatório Mundial sobre Direitos Humanos, divulgado nesta semana pela organização não governamental Human Rights Watch (HRW).
O número de adultos encarcerados é superior a meio milhão de pessoas, o que supera em 43% a capacidade do sistema prisional. Além disso, 20 mil adolescentes cumprem medidas socioeducativas com privação de liberdade. Os dados destacados no documento são do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (InfoPen), do Ministério da Justiça.
SANTO ÂNGELO
Em Santo Ângelo, o percentual de crescimento é menor. O crescimento da população carcerária nos últimos cinco anos é de 20%, de acordo com o aadministrador Mauri Eich.
Segundo ele, a cinco anos a população carcerária era de aproximadamente 170 presos e hoje é de 209, 39 presos a mais. Um índice, acima de 20%. Dos 209 presos em Santo Ângelo, são 191 homens e 18 mulheres.
Do total de homens, 62 são provisórios, que ainda não foram condenados. Já das mulheres, 10 das 18 são provisórias. Dos 209 presos, 81 possuem envolvimento com tráfico de drogas. Das 18 mulheres, 13, tem envolvimento com o mesmo crime. Isso faz com que quase 40% do numero de presos respondem por tráfico de droga.
Por estupro, estão no Presídio três detentos. Acusados de latrocínio ( roubo seguido de morte), são 20 presos. Outros sete respondem por homicídio simples e dois por homicidios qualificados. Vinte e oito homens e uma mulher estão presos por furtos. Os demais estão presos por delitos variados.
A capacidade do presidio é de 146 presos e hoje abriga 209. São 63 presos acima da capacidade, ou 45% acima.
SUPERLOTAÇÃO
Na avaliação da entidade, que fez o levantamento dos dados, os atrasos no sistema de Justiça contribuem para a superlotação. Quase 200 mil presos aguardam julgamento. O estado do Piauí tem a maior taxa do Brasil, onde 66% dos presos são provisórios. Além do número excessivo de encarcerados, a falta de saneamento facilita a propagação de doenças. A pesquisa aponta que o acesso dos presos à assistência médica continua inadequado.
Esta é a 24ª edição do Relatório Mundial sobre Direitos Humanos, que avalia as práticas adotadas em mais de 90 países. No capítulo que trata do Brasil, além das condições carcerárias, são analisadas ainda as mortes de policiais, a violência de gênero, os direitos trabalhistas, a violência no campo, a liberdade de expressão e informação, além da política externa do país na área de direitos humanos.

Foto: Rogério Sartori/AT

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