Ex-padre suspeito de estuprar adolescentes é preso em Caçapava do Sul

 

Um ex-padre de 74 anos foi preso com a suspeita de estuprar adolescentes desde 1961. João Marcos Porto Maciel, conhecido como Dom Marcos de Santa Helena, vinha sendo investigado pela Polícia Civil. Ele é ex-membro das igrejas Católica e Anglicana, e atualmente atuava em um monastério da Igreja Veterodoxa. A polícia reuniu depoimentos de seis pessoas que dizem ser vítimas e deu origem à Operação Silêncio dos Inocentes, deflagrada na manhã desta terça-feira, 9.

 

O mineiro Marcelo Ribeiro, de 48 anos, resolveu quebrar o silêncio e publicou um livro sobre os abusos sofridos entre seus 12 e 15 anos, quando vivia em Novo Hamburgo. A obra foi lida por Alexandre Diel, que afirma ser também vítima de Dom Marcos quando integrava o coral da Igreja Católica no mesmo município. As outras duas vítimas apontadas pela Polícia Civil têm 17 e 18 anos.

 

Os relatos, incluindo os de cerca de 15 testemunhas, são de épocas e cidades variadas e de pessoas que, segundo o delegado Fabrício Conceição, não se conheciam. Os depoimentos mostram um jeito igual de abordar e tocar os adolescentes, inclusive com uso de remédios para dopar os jovens. O religioso também prometia dinheiro e bicicleta para as vítimas.

 

Além de estupro de vulnerável (pena de 8 a 15 anos de prisão) ele está sendo indiciado por prescrever ou ministrar drogas desnecessárias (pena de 2 anos de prisão).

 

Excomungado da Igreja Católica

 

Dom Marcos foi excomungado da igreja Católica em 2009. No entanto, passou a fazer parte do clero da Igreja Anglicana do Brasil quando acabou sendo também expulso da igreja.

Modo de agir


Em geral, as pessoas apontadas como vítimas moravam no mesmo local que Dom Marcos, em quartos separados. Conforme a polícia, o religioso, que dava aulas de canto e de flauta, usaria a confiança e a figura de liderança, aplicando doutrina que estimulava a aproximação e a adoração a ele. Depois, começaria um processo de sedução, com a justificativa de que Deus aprovava e que o aluno, por supostamente ser o melhor da turma, receberia um prêmio. A partir de então, iniciavam-se os abusos frequentes, que incluiriam penetração do abusado e do agressor.

 

As vítimas, conforme o delegado, viam-se presas ao suspeito sem poder confrontá-lo ou compartilhar com outros as intimidades da convivência, sob risco de desaprovação social e familiar. O religioso visitaria o quarto dos meninos à noite e, por vezes, chamaria os adolescentes ao seu quarto.

 

Os relatos ainda indicam que o ex-padre escolhia um perfil específico para as vítimas: jovens em situação de vulnerabilidade, como órfãos ou carentes. A polícia afirma que ele também fazia ameaças e usava seringas para aplicar remédios que dopassem os adolescentes.

 

Operação Silêncio Dos Inocentes


Mandados de busca e apreensão são cumpridos por onze policiais civis onde Dom Marcos atua, na Estrada Passo do Salso, na área rural de Caçapava do Sul, além do mandado de prisão temporária para o ex-padre. São 30 dias de reclusão prorrogáveis por outros 30. Durante esse período, a polícia pretende continuar investigando. O inquérito é composto por cerca de 100 páginas.

 

O religioso será encaminhado ao Presídio Estadual de Caçapava do Sul. O espaço da congregação passa por revista a fim de encontrar materiais que auxiliem na comprovação da suspeita de pedofilia. Os monges e demais integrantes da congregação serão avaliados nesta terça-feira por psicólogos do município. Esses integrantes também são investigados pela polícia.

 

À procura de vítimas


A polícia acredita que inúmeras outras pessoas tenham sido vítimas de abusos sexuais cometidos pelo suspeito. Por isso, criou canais de comunicação para receber denúncias que ajudem a esclarecer o passado de Dom Marcos. Há pessoas de Santa Catarina e do Ceará que a polícia também suspeita que tenham sofrido estupros, assim como acredita que haja em outras localidades, tendo em vista o número de cidades pelas quais ele passou.

 

Informações devem ser comunicadas à Polícia Civil pelo telefone (55) 3281.1720 ou pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. .

 

Fonte: Rádio Gaúcha

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