“Enfrentamos uma doença social grave, que mata uma pessoa a cada 25 horas no Brasil: a homofobia”, alerta professora

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A professora Rosangela Angelin, do curso de Direito da URI, falou em entrevista para o jornal A Tribuna sobre o preconceito que existe na sociedade e as graves consequências que isso traz. As informações fazem parte de uma síntese dos debates que são realizados em espaços na Universidade.
“Pouco se fala sobre o tema, mas os dados da violência que é gerada pelo preconceito contra o público LGBT é muito grande. Embora o sufixo “homossexualismo” tenha sido retirado do rol do Cadastro Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, enfrentamos uma doença social grave, que mata uma pessoa a cada 25 horas no Brasil: a homofobia”, afirma a professora Rosangela.
Segundo a professora é possível presenciar discursos de opressão e ódio.“Esses discursos, muitas vezes, transcendem o preconceito e alcançam ações. Se materializam na forma de discriminação, agressão física ou moral, violência brutal e muitas mortes” afirma.
Conforme Rosangela o preconceito é por algo que as pessoas não conhecem “Isso pode ser alterado, quando passam a conhecer as pessoas envolvidas e ver que o que pensavam delas, podem ser distinto da realidade. Porém, este preconceito pode virar discriminação negativa causando violências verbais ou até mesmo físicas, neste caso, contra o público LGBT”, alerta a professora.


MUDAR A CULTURA
Para combater a discriminação, a professora acredita que deve se iniciar pelo respeito à diversidade e para isso “é preciso mudar a cultura de que todas as pessoas devam ser iguais a um padrão que nos dizem ser o correto. É preciso viver a diversidade e garantir que ela se manifeste. Precisamos parar de acreditar que o público LGBT “escolhe” sua sexualidade. Ninguém acorda de manhã e diz: Hoje eu vou ser gay e passa a ser”, fala.
Rosangela explica que são muito fatores envolvidos e é preciso respeitá-los. “ Isso me faz lembrar de um dos maiores ensinamentos de vida que tive. Ocorreu em um Seminário com Pastores e Pastoras de várias denominações religiosas de todo Brasil, quando discutíamos sobre se as igrejas deveriam ou não aceitar homossexuais e lésbicas nos seus espaços. Um pastor, de idade já avançada, confessou que não sabia muito bem como uma pessoa “chegava a ser gay” e, relatou que certo dia apareceu em sua igreja um casal de lésbicas querendo participar dos cultos. A comunidade, de imediato, exigiu que ele proibisse a inclusão delas na comunidade. Ele ficou com uma grande dúvida sobre como deveria proceder. Tomando suas palavras: “No alto da minha ignorância e pequenez diante do mundo pensei durante vários dias: o que devo fazer??? Foi quando tive uma brilhante ideia: mudar a pergunta que eu estava me fazendo. Aí, me perguntei: o que Jesus faria no meu lugar? E, imediatamente tive a resposta: ‘amai-vos uns aos outros, como eu vos tenho amado’. Jesus teria acolhido e, eu também acolhi. Por certo, o amor tem várias formas de se manifestar”. Muitas vezes, recorrer a princípios éticos e também religiosos, como a solidariedade, o respeito e o amor ao próximo e a próxima, nos auxiliam na tarefa de propagar e garantir a dignidade humana”, destaca Rosangela.


POLÍTICA PÚBLICA
De acordo com a professora Rosangela outra forma de dissipar o preconceito é através de leis e políticas pública que possam incluí-las/os “garantindo direitos de cidadania como a qualquer outra/o cidadão/ã. Isso é o que apregoa o artigo 3º, inciso IV da Constituição Federal de 1988, quando anuncia as metas do Estado brasileiro “promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Até agora, quem vem “legislando” sobre temas LGBT tem sido o Supremo Tribunal Federal, quando a função deveria ser do Congresso Nacional”, explica.
Para Rosangela, uma das grandes dificuldades para o reconhecimento dessas pessoas é a invisibilidade a que estão submetidas e a ignorância com a suas identidades.
“Enquanto não se debater essa temática abertamente, ainda se perpetuarão ignorâncias e violências. Somente com a educação que respeite as diferenças é que será possível uma mudança garantindo segurança e respeito a todas e todos”.

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