Spinner é levado para escola e deixa pais e educadores em alerta

Crédito foto: Paula Kroth/AT

 

Uma nova mania entre as crianças está despertando a atenção de educadores e pais de alunos no mundo inteiro: o hand spinner. A tradução do nome é a própria função do brinquedo. Mas o que ele faz? Roda, e mais nada. Mesmo assim, virou sucesso.
O brinquedo é divertido e prazeroso, mas ele também pode ser prejudicial. A psicóloga Adriana Klein, explica de que forma isso pode acontecer. “Acredito que assim como quase tudo na vida, o problema começa quando não há um equilíbrio entre essa brincadeira e as demais atividades diárias. Quando brincar com seu spinner começa a ser o foco principal do dia da criança, quando a lição de casa deixa de ser feita por causa do brinquedo ou quando esse brinquedo começa a ser levado para a sala de aula e prejudica a concentração e a atenção ao conteúdo a ser estudado então sim, ele pode se tornar prejudicial”, alerta.
CONFLITOS PODEM SURGIR
Para Adriana, muitos conflitos podem surgir em função de alunos que ultrapassam o limite de uso do brinquedo mas afirma que “ Proibir o uso do spinner talvez não seja o melhor caminho. Existem vários exemplos de escolas que usaram a caçada aos pokemons ou o boom dos celulares, por exemplo, para fins didáticos”, fala.
Para ela o ideal é pais e professores estabelecerem alguns limites para o uso desses brinquedos sem deixar de explicar para as crianças os motivos para isso e sem precisar chegar ao extremo de proibi-los totalmente”.
Conforme relato da professora, Iara Vanise Andreis, supervisora da Escola Onofre Pires o brinquedo é uma febre. “Eu trabalho também em outras escolas e muitas crianças tem, dos pequenos com 6 anos até os alunos do ensino médio. Em uma sala com 30 alunos, 15 tem e todos os outros querem. Mas na sala de aula não pode usar, os professores controlam, explicam que não é o momento, mas não foi criada uma regra específica para o brinquedo”, destaca.
Já na Escola Getúlio Vargas, a vice-diretora do turno da tarde, Ivete Conrado, explicou que observou apenas dois alunos usando o brinquedo no intervalo e não ouviu relatos dos professores sobre o uso em sala de aula. “Eu acho que não tem muitos alunos com o brinquedo até pelo custo dele”, fala.

 

Psicóloga vê poder de socialização

 Crédito foto: Arquivo pessoal

 

O spinner surgiu como uma febre desde as crianças mais pequenas até adultos se divertem com o pequeno brinquedo que gira nos dedos e emite luz. Muitos acreditam que o spinner tenha função terapêutica, aliviando o estresse.
Em entrevista ao jornal A Tribuna, a psicóloga Adriana Klein, falou sobre o brinquedo que surgiu nos Estados Unidos como um recurso no tratamento de pacientes com autismo e déficit de atenção. "Por esse seu  objetivo inicial muitos acreditam que ele possa ter um fundo terapêutico, inclusive contra o estresse. Mas, ainda não há nenhum estudo científico que comprove a eficácia dele num tratamento terapêutico” afirma a psicóloga que faz um alerta “Certamente questões de estresse e ansiedade precisarão de uma intervenção mais aprofundada e o uso de técnicas bem mais específicas”.

Porém o spinner como brincadeira é uma atividade prazerosa afirma a psicóloga Adriana. Para ela o brinquedo é capaz de tirar o foco das preocupações e manter a cabeça ocupada e dessa forma proporcionar certo alivio no estresse “Agora, não podemos confundir isso com a solução para o problema da ansiedade, vejo mais como uma válvula de escape” fala.
SOCIALIZAÇÃO
Outra utilização do brinquedo pode ser para estimular a socialização das crianças, como explica Adriana. “Também pode facilitar a socialização da criança, uma vez que parte do prazer da atividade consiste em compartilhar as manobras que aprenderam com outras pessoas. Também é comum que as crianças troquem entre si seus spinners, e isso também é uma forma de estabelecer relações” explica.
Adriana cita ainda que alguns pais relataram que o spinner ajudou a reduzir o tempo que as crianças passam em contato com celulares e internet “Mas, especificamente, quanto a sua função terapêutica não há evidências que confirme isso” destaca.
FEBRE
Tem brinquedos que viram verdadeiras “febres” e todos querem ter. Mas a psicóloga Adriana, lembra que isso não é novidade, pois os adultos já tiveram esse tipo de brinquedo que era uma febre. “Quem não se lembra do Ioiô, da mola maluca, dos minigames ou do Tamagotchi? Então não acho esses brinquedos que viram “febre” sejam coisa de agora. Sempre existiram e se formos ver, todos são brinquedos simples, e qualquer um que se dispuser, será capaz de brincar com eles. E acho que é justamente isso que os torna tão viciantes” explica.
Para ela se o brinquedo exigir muito empenho e esforço ele não será tão atraente. “O irônico é ver que diante de tanta tecnologia e brinquedos super sofisticados as crianças se interessem por algo tão simples. Mais uma prova do quanto as crianças precisam de realmente bem pouco para serem felizes”.

 

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