Inflação muda hábitos dos consumidores

Crédito foto: Cristiano Devicari/AT

 

A crise econômica do país está fazendo com que os brasileiros adaptem-se a esse novo momento. Uma pesquisa da Nielsen, encomendada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), mostra certa estabilidade no consumo com pequena alta de 0,6%.
No entanto, os dados mostram mudança de hábito do consumidor que passou a fazer mais pesquisas de preços e substituição de marcas. Essa alteração no comportamento de consumo no país também acontece em Santo Ângelo, conforme sondagem feita pela reportagem do jornal A Tribuna em supermercados da cidade.
A aposentada Cledi Miron conta que, com a volta da inflação, passou a fazer tomada de preços em dois supermercados, avaliando produtos como arroz, farinha, feijão e massa.
Ela explica que o mercado que apresentar menor média de preço desses alimentos acaba escolhido na hora da compra. “Infelizmente a quantidade de produtos, que eu levava com R$ 200, eu gasto hoje quase R$ 300”, diz Cledi. A aposentada conta que, além de uma pesquisa de preço mais apurada, vem substituindo marcas.
“Eu sempre comprava, por exemplo, a maionese Hellmann’s, que é muito saborosa. Desde o aumento dos preços de produtos passei a adquirir a maionese Oderich de sabor mais suave. O pessoal lá em casa acostumou-se com essa marca cujo preço é mais em conta”, comenta.
CARNE DE FRANGO
A dona de casa, Ana Maria Oliveira, também faz pesquisas de preços antes da compra. “Sempre vou a três supermercados para pesquisa. Adquiro produtos em todos eles e não sou fiel a marcas. Para mim o que conta é o menor preço. Procuro avaliar preços do arroz, feijão e café. Em nossa casa são duas pessoas. Nós diminuímos o consumo de tomate e cebola que tiveram grande aumento de preços e substituímos a carne de gado pela de frango, mais barata”, revela.
FRUTAS E VERDURAS
Já o aposentado Alcindo Steinhorst conta que tem o hábito de pesquisar preços na compra de frutas, verduras e outros alimentos.
Ele verifica o valor dos produtos em vários mercados e o que tiver preço menor acaba sendo escolhido.
“Tenho substituído marcar conhecidas por mais baratas em vários tipos de alimentos. Apenas não abro mão das minhas marcas preferidas no caso da massa e da erva mate”, diz.
SUPERMERCADOS
Os supermercados de Santo Ângelo vêm acompanhando a mudança de hábito dos consumidores. O gerente do Supermercado São Luiz, Luis Reis, diz que essa alteração começou a ser verificada há 60 dias.
“Anteriormente o nosso cliente ficava no máximo 30 minutos no mercado. Hoje esse tempo de permanência aumentou. As pessoas avaliam marcas e preços com mais critério. Conversando com uma cliente esses dias ela me mostrou que a pipoca, por exemplo, compensa mais comprar dois pacotes de 500 gramas do que um quilo. Essa conversa mostrou para mim um consumidor mais atento na hora de adquirir produtos”, explica.
O gerente do Stok Center, Rogério Moro, também percebeu as alterações que estão acontecendo no setor. “A nossa rede de supermercados trabalha com pouca variedade do mesmo item, mas com menor preço. Nosso público sempre foi focado nas classes B e C. No entanto, com este novo cenário na economia, a classe A passou a comprar no Stok Center. No início era curioso. As pessoas, por exemplo, queriam comprar Leite Moça da Nestlé, uma marca que não distribuímos. Oferecíamos a elas a marca Italac com preço bem mais em conta. Hoje esses consumidores levam essa marca de leite condensado sem qualquer questionamento. É uma nova fase e a nossa rede de mercados acompanha atentamente esse novo público”, diz.

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