STR teme que redução de doses possa comprometer a cobertura vacinal


 

A redução de doses a serem desti­nadas para os pequenos produtores rurais en­quadrados nas linhas do Pronaf poderá compro­meter a cobertura vaci­nal contra a febre aftosa, cuja primeira etapa da campanha tem seu início previsto para sexta, 1º de maio. A preocupação foi manifestada ontem pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Santo Ângelo, Oswaldino José Lucca, que participou na semana passada, de uma reunião da Federação dos Traba­lhadores na Agricultura (Fetag) do RS em Porto Alegre, que tratou do as­sunto.

 

Ao contrário do ano passado, quando o pe­cuarista familiar recebia até 100 doses de vaci­na contra a febre aftosa, desde que cadastrado no Pronaf ou no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pecfam), agora serão apenas 30 doses. A redução, contestada pela Fetag, é alegada devido à crise financeira do Estado e que o orçamento deixa­do pelo governo anterior possibilitou tão somente a compra de vacinas para quem tem até 30 animais.

 

Lucca recebeu infor­mações do presidente da Fetag, Carlos Joel da Sil­va, que essa redução drás­tica não é aceita pela Fe­deração. “Alertamos para o fato de que isso poderá acarretar um prejuízo na cobertura vacinal. Em­bora reconhecendo que para a primeira etapa seja difícil conseguir uma su­plementação de recursos para aumentar o número de doses por produtor, a Fetag continua a nego­ciar com o governo o in­cremento do programa”, disse.

 

Mesmo assim, os cria­dores de gado com mais de 30 animais, deverão adquirir as doses nas ca­sas agropecuárias cre­denciadas pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seapa) do Estado. As vacinas são vendidas somente no período da etapa. Após a compra, é recomendável a aplicação em, no máxi­mo, cinco dias.

 

VALORES

 

A coordenadora do programa de Febre Aftosa da Secretaria, Grazziane Rigon, recomenda que as doses sejam mantidas re­frigeradas para garantir a eficiência do produto. A Secretaria realizou um levantamento junto aos distribuidores e as doses são encontradas no mer­cado por valores em tor­no de R$ 1,80.

 

A Fetag solicita aos Sindicatos dos Trabalha­dores Rurais que infor­mem aos associados que as doses doadas podem ser retiradas nas Inspeto­rias Veterinárias a partir do dia 4 de maio. No dia 1º é feriado.

 

Lucca afirma que exis­te uma tradição dos pro­dutores do Pronaf rece­berem gratuitamente 100 doses, mas lhe causou estranheza deste estoque ser reduzido para 30 uni­dades. “Foi uma diminui­ção significativa”, opina.

 

Esta determinação da Seapa deverá causar um reflexo econômico para os agricultores familia­res, principalmente do setor leiteiro, que já en­frenta uma crise devido ao calote praticado pelas indústrias de laticínios e o baixo preço pago pelo produto.

 

“A norma do órgão governamental deverá comprometer também a situação financeira da categoria”, opina o sindi­calista. Para Lucca, “não é diminuindo recursos para a agricultura que produz alimentos que o governo resolverá o problema fi­nanceiro do RS”.

 

O líder sindical esti­ma que dos cerca dos 1,3 mil associados do STR que têm direito às doses gratuitas contra a aftosa, 70% desse contingente deverá ser beneficiado com esta medida da Se­apa. O restante terá que adquirir as doses nos es­tabelecimentos comer­ciais.

 

Na segunda-feira, 27, ele recorda que o setor de Administração de Po­lítica Agrícola da Fetag entregou um documento ao Executivo gaúcho rei­vindicando a distribuição de 50 doses e não 30 para os pecuaristas familiares.

 

A expectativa da Ins­petoria de Defesa Agro­pecuária (IDA) da Capital das Missões é de que de 24 a 25 mil bovinos e bu­balinos de todas as idades sejam imunizadas nesta primeira fase da campa­nha.

 

Foto: Banco de Dados/AT

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