Morador diz que lontras do Itaquarinchim estão sendo exterminadas

 

 

 

 

Um suposto crime contra a fauna estaria ocorrendo no bairro Meller Norte, zona norte de Santo Ângelo. A denúncia foi feita pelo professor de Educação Infantil, Cleison Radons, 18 anos, que esteve na redação do Jornal A Tribuna.

 

Segundo ele, que mora na rua Nicolau Leite de Oliveira há cerca de cinco anos, em determinado local do bairro existe uma toca com aproximadamente 12 a 20 lontras. Ele lamenta que algumas pessoas estariam caçando os mamíferos com armas de fogo e acompanhados de cães e até crianças. “É uma crueldade que vem sendo praticada contra animais dessa espécie e que se encontram em extinção”, critica.

 

“A mortandade de lontras estaria ocorrendo há cerca de dois anos desde que os caçadores descobriram a toca que se encontra em uma área onde anteriormente houve o desmatamento e derrubada de árvores às margens do rio Itaquarinchim”, relata Cleison.

 

Cleison está solicitando auxílio da comunidade para se engajar nesta luta de proteção dos mamíferos, em que pese que mais bichos podem ser mortos caso não seja inibida a ação. Informações colhidas junto ao Pelotão Ambiental de Santo Ângelo dão conta de que o órgão vinculado à Brigada Militar não tinha conhecimento do fato do surgimento de lontras na beira do Itaquarinchim, bem como de que os animais estariam sendo mortos. A pena prevê ao infrator que for flagrado abatendo animais silvestres detenção de seis meses a um ano e mais multa.

 

“A presença de lontras no rio Itaquarinchim, em Santo Ângelo, conforme relato de moradores do bairro Meller Norte, pode se atribuir a busca de presas que são utilizadas na sua alimentação”, justifica a mestre do curso de Ciências Biológicas do campus da URI, Briseidy Marchesan Soares.

 

Ela esclarece que são animais carnívoros e se alimentam de peixes, mamíferos, artrópodes, aves, anfíbios e moluscos que se encontram disponíveis no rio e nas suas margens.

 

AMBIENTE PROPÍCIO

 

Atualmente estes animais são considerados como espécie ameaçada de extinção na categoria vulnerável, conforme o Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção do Rio Grande do Sul.

 

“Mesmo assim são encontradas lontras em diversas regiões do RS onde foram realizadas pesquisas”, reforça. Os registros desses mamíferos geralmente são obtidos por meio de observação visual, registro fotográfico, vestígios (amostras fecais) e relatos de moradores locais.

 

“O rio Itaquarinchim é um ambiente propício para o aparecimento de lontras em função da disponibilidade de alimento e da presença de mata ciliar que da proteção para elas se reproduzirem e se abrigarem”, diz.

 


 

Cleison Radons/Arquivo Pessoal

 

 

 

 

 

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