Perícia de restos mortais de Jango não encontrou sinal de veneno, diz PF

 

 

As interrogações que já duram quase 38 anos continuam. O laudo sobre a análise dos restos mortais do  ex-presidente João Goulart  não conseguiu esclarecer se o líder trabalhista foi envenenado ou vítima de um ataque cardíaco, em dezembro de 1976.

A perícia concluiu que os dados clínicos e as circunstâncias da morte de Jango são compatíveis com causas naturais. Contudo, não é possível afastar a possibilidade de envenenamento, em virtude das mudanças químicas e físicas pelas quais o corpo passou em quase quatro décadas. Os exames toxicológicos não encontraram as substâncias listadas pela perícia que poderiam ter fulminado Goulart.

"Não há elemento científico para afirmar que houve ou não uma morte natural. Também não foi encontrada uma substância que possa indicar a causa da morte, não podemos excluir a possibilidade de envenenamento", disse o perito cubano Jorge Perez.



A possibilidade deste resultado já era aguardada pela família Goulart e pelo governo brasileiro, em virtude do longo tempo transcorrido desde a morte de Jango, em dezembro de 1976, na Argentina, durante o exílio.



O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência (SDH), Ideli Salvatti, um ano depois da exumação do político gaúcho, em novembro de 2013. A família do líder trabalhista teve o primeiro acesso ao laudo. 



SDH acatou decisão da família, corroborada por liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de não divulgar fotos do processo pericial, o que inclui a exumação e outros testes. O laudo final será revisado, sendo que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) receberá a versão sem imagens. O laudo completo ficará sob guarda da Polícia Federal. "Somente em uma democracia nós realizamos uma cerimônia como essa", destacou a ministra. "O laudo é parte de um processo de investigação, ele não é a conclusão em si", completou.


Na última semana, peritos brasileiros e estrangeiros estiveram reunidos no Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília, onde cruzaram exames toxicológicos e de gases em busca de uma substância letal que pudesse ter matado Jango, conforme suspeitas diante de denúncias de que o ex-presidente, deposto pelo golpe militar de 1964, teria sido envenenado por uma conspiração entre as ditaduras do Cone Sul.



Técnicos do Brasil, Argentina, Uruguai, Cuba, Portugal e Espanha trabalharam no laudo final com base em uma série de testes. O laboratório paulista Tasqa analisou os gases retirados do jazigo de Jango, em São Borja. Já os exames toxicológicos foram realizados pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, de Portugal, e pelo Serviço Externo de Ciências e Técnicas Forenses, da Espanha. Neto de Goulart e médico, João Marcelo acompanhou as análises em Brasília.



Após o resultado, a família espera que prossigam as investigações sobre a morte de Jango, dentro de uma ação do Ministério Público Federal. Depoimentos de agentes da repressão e acesso a arquivos estrangeiros são passos sugeridos pelos familiares do ex-presidente.

 

 

 

 

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