Olívio Dutra fala com exclusividade para A Tribuna

5 respostas com o ex-governador Olívio Dutra

 

O ex-governador Olívio Dutra esteve em Santo Ângelo, na terça-feira, 10, participando da entrega oficial do pedido de canonização do índio Sepé Tiaraju ao bispo Diocesano dom Liro Vendelino Meurer, no auditório do Colégio Teresa Verzeri. O político falou com a reportagem de A Tribuna e falou sobre a figura de Sepé Tiaraju e do atual político do Brasil.

 

A Tribuna - Essa mobilização que busca a canonização do índio Sepé Tiaraju vem gerando um amplo debate sobre a viabilidade ou não. O senhor acha justo reconhecer Sepé como santidade?

 

Olívio - Sim é um reconhecimento justo. Sepé Tiaraju é uma figura que segue viva no imaginário dos missioneiros. Ele não é apenas um personagem da história da América Latina e do Brasil. Sepé foi um exemplo de índio aculturado que falava espanhol, português e guarani, que lutou contra os dois exércitos mais poderosos da época: o espanhol e português. Sepé foi uma liderança política que atuou como espécie de prefeito naquele período e teve um papel importante no desenvolvimento das Missões neste trabalho feito pelos jesuítas. Me criei ouvindo histórias e estórias deste índio que morreu num campo de batalha, na defesa dos interesses de seu povo.

 

A Tribuna - O senhor falou em liderança política do passado. Aproveitando essa deixa, como vê o atual quadro da política no Brasil?

 

Olívio - O Brasil hoje vive uma guerra de bugios. Quem já viu uma briga desses macacos sabe como é. Os animais defecam nas mãos e jogam no adversário – que tomam a mesma atitude. Assim são os políticos no Brasil. Mesmo em lados opostos e envolvidos em tramas e esquemas de corrupção, todos acabam trocando acusações, jogando lama no ventilador. Cada qual esconde suas trapaças e malfeitorias e aponta as irregularidades do adversário. E no que se resume isso: políticos cobrando moral de cueca um dos outros, sem olhar para o seu próprio umbigo.

 

A Tribuna - A que o senhor atribui esse quadro de descrédito da política brasileira?

 

Olívio - A crise não é de agora. Vem de longa data. Apenas agravou-se com o passar do tempo. A estrutura que temos transformou a política num grande balcão de negociação, o chamado toma lá, da cá. Precisamos fazer as reformas estruturantes em nosso país como a reforma política não apenas eleitoral; a reforma urbana que liberte as cidades da especulação imobiliária; a reforma tributária progressiva que faça com quem tem mais pague mais e quem tem menos pague menos impostos; e a reforma agrária. E essas reformas devem atingir os três níveis: municipal, estadual e federal. Precisamos das mudanças no sentido de construir um país ambientalmente sustentável, economicamente viável e uma sociedade mais justa.

 

A Tribuna - Como o senhor vê hoje a indignação da sociedade com os políticos e os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff?

 

Olívio - Vejo uma indignação seletiva contaminada por disputa política irracional, em que pessoas pedem a volta do Militares, defendendo bandeiras como bandido bom é bandido morto, argumentos reacionários que muitos pensavam ter ficado no lixo da história. Isso é perigoso e representa uma ameaça a nossa democracia que é muito jovem. Diferenças de ideias devem ser apresentadas no campo dos debates. È dessa forma que fortalecemos a nossa democracia. Em relação ao pedido de impeachment vejo políticos envolvidos até o pescoço em esquemas de corrupção fazendo encaminhamento desse processo, na mais completa demagogia e atentado a nossa democracia. Isso representa um retrocesso essas tentativas. Que a disputa eleitoral aconteça durante as campanhas, com amplo debate e discussão de ideias. Não neste momento que o país precisa de ação para seguir em frente.

 

A Tribuna - No senso comum das pessoas o PT virou sinônimo de corrupção. A que o senhor atribui isso?

 

Olívio - Discordo dessa colocação. O PT não é sinônimo de corrupção e essa chaga que assola nossa política envolve todos os partidos.
Não é exclusividade de ninguém. Hoje vendem a imagem que o governo Dilma é apenas o PT, deixando de lado o PMDB e outros partidos que integram a base da administração federal.
Seria injusto atribuir todos os escândalos da política nacional ao PT. No entanto é preciso ser coerente: o PT errou ao se corromper com outros partidos e pisoteou no seu patrimônio ético perante a sociedade.
O projeto coletivo ficou de lado e figuras históricas importantes do partido se corromperam. Não tem como negar, inclusive tem muitos presos.
A presidente Dilma, por sua vez, está engessada nessa estrutura do toma lá, da cá. Ela não tem como sair sozinha dessa armadilha.
Por isso que é importante, quando eleitor vai às urnas, procure votar em parlamentares que se alinhem politicamente com o candidato a presidente em que estão escolhendo.
Do contrário teremos a mesma situação como a atual. O Executivo tendo que contemplar interesse dos partidos aliados em troca de votos, deixando de lado as demandas da população.

 

 

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