Seleção: Dunga ignora rejeição

 

 

 

 

Dunga ainda nem começou a trabalhar em sua segunda passagem pela Seleção Brasileira, mas já larga com a árdua tarefa de reconquistar a confiança do torcedor.  Apresentado nesta terça-feira como o novo treinador da equipe nacional, o ex-volante não se mostrou incomodado com os altos índices de rejeição ao seu nome encontrados em pesquisas com a população - enquetes da Rede Globo e do aplicativo PiniOn, por exemplo, indicaram uma aprovação por volta de apenas 20%.

 

“A pesquisa está aí para ser derrubada, com todos os prognósticos, as invenções, tudo o que se fala e se diz”, disse Dunga. “Acredito muito no torcedor brasileiro, ele vai entender nosso trabalho, o que nós queremos para a Seleção. Não sinto essa tamanha rejeição que está se falando aí, pelo que passo nas ruas, aeroportos, mercados. Não posso querer que todo mundo tenha a mesma opinião, mas toca a nós mudar a opinião das pessoas”.

 

O treinador citou até o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, que lutou contra o regime do apartheid na África do Sul e ficou preso por 27 anos antes de ser eleito governante do país, como exemplo de alguém que conseguiu transformar a opinião sobre si. “Nelson Mandela tinha tudo contra, não mexeu em uma arma e conseguiu mudar. Espero que eu tenha 1% da paciência e da sabedoria dele para mudar isso”, declarou.

 

Em vários momentos de sua apresentação, Dunga recorreu aos excelentes números de sua primeira passagem pela Seleção para basear sua argumentação. O gaúcho tem um aproveitamento de 76,6% dos pontos disputados com a equipe nacional entre 2006 e 2010, período em que conquistou os títulos da Copa América 2007 e Copa das Confederações 2009. O ciclo se encerrou com a queda por 2 a 1 para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010. Foram 42 vitórias, 12 empates e seis derrotas.

 

 

“Respeito as enquetes, todos os sites, quem falou, quem deixou de falar. Mas também tem pessoas que apoiam. É mais ou menos como eleição, nem sempre ganha o candidato favorito nas pesquisas. Tenho que buscar força e energia nos 20 e poucos por cento que estão a meu favor, e tentar conquistar com trabalho e transparência os demais. Se os 76% de aproveitamento não foram suficientes, quer dizer que tenho que fazer muito mais para conquistar essas pessoas”, afirmou o treinador.

 

A já habitual pergunta sobre o resgate do “futebol arte” surgiu, mas o termo não conta com a simpatia de Dunga. “É muito legal falar futebol arte, mas o goleiro defender também é um arte, o zagueiro desarmar também é arte. O que não pode é comparar o futebol lá de trás com o de agora. Não dá para ter um Pelé a cada dia. Temos de aliar o talento ao comprometimento”, ressaltou.

 

 

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

 

 

 

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